GHÒR di Angeli.
DO YOU TAKE ME AS I AM?
l'appel du vide,
(n.) the unexplainable desire to jump when on the edge of a cliff.
doce, dengosa, polida,
Se eu precisasse te dizer quem foi o meu primeiro amor, diria: meu primeiro kit de pintura. Eu não me lembro do momento tão claramente além de borrões coloridos e sons de risadas, mas minhas mães adoram falar sobre o brilho que eu tinha no olhos enquanto pintava minha primeira obra: pequenas palmas coloridas espalhadas por uma tela que, na época, era maior que eu – e essa tela tem um lugar especial na casa delas, bem acima da lareira.
to love me is to suffer me.
Nasci no meio do inverno, sortuda desde o primeiro suspiro. Minhas mães gostam de dizer por aí que souberam que eu seria geniosa desde o primeiro choro, porque meu bico já era maior do que meus meros quarenta e oito centímetros.Ainda muito pequena me apaixonei pelas cores. Cores nas minhas roupas, nos meus acessórios, por todo o meu quarto, pelas paredes da casa, em qualquer folha que eu encontrasse. Não demorei a pegar o jeito com meus lápis e dezenas de giz de cera, fiquei fascinada quando conheci tintas e pincéis.
Cresci com duas mães que, além de entusiastas de culinária e da dança, compartilharam comigo a paixão por linguagens. Me ensinaram o que sabiam de inglês e alemão, os primeiros idiomas que me esforcei para alcançar a fluência, e que me motivaram a também aprender francês, português e chinês; uma tia artista que me levava para oficinas de arte, me apresentou pintores, ainda adora me contar tudo que continua descobrindo sobre todos os tipos de expressões artísticas e a esposa dela, uma estilista renomada na indústria da moda, que me ensinou a costurar e sempre que podia me deixava correr pelos bastidores de eventos e desfiles com meu primo Matty — só dois anos mais velho, para sempre amaldiçoado pelo meu grude e apego, companheiro de aventuras e, quando adolescentes, quase sempre coagido a servir de manequim para minhas criações.A primeira vez em que fiquei longe da minha família por mais de uma semana aconteceu em 2016, quando me mudei para Londres para cursar Pintura na RCA*. Durante o primeiro ano, conheci meu pai biológico. Após me formar, decidi continuar na cidade para uma segunda graduação e pós em Jornalismo (Estilo de vida, Arte e Cultura) pela Universidade de Westminster, e foi entre a rotina engolida pelos estudos e trabalho que fiquei sabendo da morte dele.Pouco tempo depois, conheci quem viria a se tornar uma das minhas pessoas favoritas: meu irmão mais velho, Daniel. Não houve estranhamento inicial, só um pouco de rancor mútuo por um homem que já não podia tentar se aproximar. Nos tornamos inseparáveis tão rápido que parece quase impossível ter vivido a maior parte da vida sem ele por perto.
★
Ainda moro em Londres, onde decidi viver para compartilhar meus melhores e piores momentos com meu irmão — quando não estou conhecendo algum lugar com meu primo, sempre buscando novas inspirações; expondo minhas obras em galerias de arte pelo mundo ou escrevendo sobre as viagens para um blog independente que eu e Matthew temos há alguns anos.
*Royal College of Art.
ghòrcore ⭑ secrets from a girl (who’s seen it all) by lorde. quiet mornings, two blunts a day to keep the worries away. mommies' girl. little sister and fav cousin. bisexuality. indie rock and pop girlies, playing bass to keep my cool, sci-fi, poetry, books, studio ghibli's movies, long songs. coffee, long walks, pretty nails, wild berry scent. the smell of paint, sewing, oil pastels, collecting seashells, post cards and stamps and lighters, messy studio. butterflies. traveling. cold days, busy nights, sleepovers at my big brother's house. making playlists for everything, one too many drinks, a pink pocket knife, scented candles, high heels and mini skirts. spoiled rotten.





